O plástico e a agricultura sustentável

A Universidade de Évora (UÉ), parceira do projeto PlaCarvões, procura “impulsionar um comportamento alinhado com os princípios da economia circular, encorajando as boas práticas, ao mesmo tempo que desenvolve uma possível solução para o problema dos plásticos na agricultura: a produção de carvão activado".

Em paralelo, pretende-se “promover uma economia eficiente e produtiva no uso de recursos, água e solo, de base regional e local, diminuindo a pressão sobre estes recursos através da redução da contaminação com plásticos”. Esta iniciativa propõe assim “uma solução de aplicação dos princípios da economia circular na cadeia de valor dos plásticos, com a valorização de resíduos de plásticos (plástico agrícola, plásticos descartáveis e fração não valorizada dos resíduos urbanos) através da produção de carvões activados”.

Segundo os investigadores da Escola de Ciências e Tecnologia da Universidade de Évora, João Nabais, Paulo Mourão e Isabel Cansado, “o carvão ativado é um material com uma capacidade extraordinária, neste caso em particular, para captar seletivamente líquidos ou impurezas no seu interior, tendo um elevado poder de clarificação e purificação de líquidos”. 

“A produção destes materiais adsorventes vai ser efetuada, a diferentes temperaturas e com recurso a diferentes agentes de ativação, como o vapor de água, dióxido de carbono, ar, entre outros. Os materiais obtidos serão caracterizados por diversas técnicas para obter a sua caraterização textural; nomeadamente a sua estrutura porosa; e caracterização química, em particular os grupos funcionais presentes na superfície. Após a caracterização, amostras selecionadas serão testadas na remoção de compostos característicos ou similares dos que normalmente surgem nos efluentes líquidos industriais, em particular no domínio agrícola”.

Sabe-se que, “atualmente 50% dos resíduos urbanos são refugo e rejeitados, na sua maioria plásticos não recicláveis, cujo destino final é o aterro ou a incineração”. O carvão ativado tem diversas aplicações nomeadamente “a filtragem e captação de poluentes de meios líquidos e gasosos, podendo ser utilizados em efluentes agroindustriais e urbanos em unidades de pequena a média dimensão, de base local e regional, tornando um resíduo num produto de elevado interesse económico e ambiental.”

Sinalizada esta oportunidade - incorporar um processo de transformação destes plásticos numa nova matéria-prima - com valor acrescentado pode contribuir para o tratamento de efluentes urbanos e agroindustriais e para a redução de plásticos sem tratamento oriundos da atividade económica instalada", foi criado este consórcio liderado pela Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva (EDIA), com a participação da Gesamb (Gestão Ambiental de Resíduos), a Cimac e a Universidade de Évora, entidades que intervêm em diversas fases do ciclo e com capacidade e competências para atuar no âmbito regional e local do projeto.

A unidade a instalar na fase de projeto para produção de carvão ativado, está a cargo da Universidade de Évora, “uma unidade experimental e demonstrativa, que permitirá avaliar a sua transposição para uma situação futura de implementação de pequenas unidades móveis ou, em alternativa, a localização do processo de transformação junto de empresas do setor dos resíduos”.

Reportagem: Minuto Verde, de 18 de janeiro de 2019. RTP. Aqui

Publicado em 18.01.2019
Fonte: GabCom | UÉ