Idade Média junta jovens investigadores

O estudo e a compreensão da Idade Média foi o mote do I Congresso Internacional de Jovens Investigadores em Idade Média (CIJIIM) organizado pelo CIDEHUS, que decorreu de 8 a 10 de novembro na Universidade de Évora (UÉ).

Aprofundar o estudo da arquitetura habitacional medieval na Évora de Quatrocentos foi uma das propostas apresentadas neste congresso por Silvana de Sousa, investigadora do CHAIA e doutoranda no Programa HERITAS - Estudos de Património, um programa doutoral em associação da Universidade de Évora e da Universidade de Lisboa.

A investigadora defendeu que “há muito que refletir sobre a vertente material da arquitectura” neste período compreendido entre os séculos V e XV. Por um lado, a casa “enquanto estrutura física, com materiais, organizações e formas próprias” por outro lado na vertente imaterial, “a da domesticidade e vivência do espaço – a casa enquanto lar, local onde se vive a familiaridade, mas também onde se trabalha e se cruzam funções”.

Ainda com a investigação numa fase “muito inicial”, Silvana de Sousa apresentou algumas considerações, e espera que o seu trabalho seja reconhecido como um estudo sobre a “casa corrente eborense”. “É a casa comum, a que se edifica consoante a necessidade e possibilidade de cada um, que preenche a cidade, que a molda na sua forma e que nos oferece uma noção mais aproximada de como seria o dia-a-dia dos Homens de uma qualquer urbe” sublinhou a investigadora, acrescentando que  “as próprias mudanças do Tempo refletem-se em mudanças na materialidade da casa e na vivência doméstica, e a diferença social e complexidade da vida urbana implicam usos distintos da casa, quer na organização do espaço, quer na articulação com o exterior”. Para Silvana de Sousa, importa não pensar a casa “apenas como uma estrutura arquitetónica isolada, mas sim num local onde se vive, não se devendo retirar a componente humana da componente material”.

A vivência do próprio espaço, leva por si só, como referiu “a um levantamento de várias outras questões”, num tema que, “não é exclusivo da História da Arte, nem da História”, o qual deverá envolver os contributos de outras disciplinas, tais como a Arqueologia, a Cartografia, a Geografia Humana, a Antropologia, entre outras. “É este o desafio” rematou, esperando “num futuro próximo” trazer novos dados e novas perspetivas

Não esquecendo que “a historiografia nacional produziu um conjunto de trabalhos importantes sobre o estudo da materialidade e do urbanismo medieval” destacando autores como Maria da Conceição Falcão Ferreira, Luísa Trindade, Amélia Aguiar Andrade, Rita Costa Gomes, entre outros, a investigadora considerou que desde 2010, “o investimento na temática parece ter abrandado, senão mesmo interrompido” razão pela qual justifica a retoma ao estudo e investigação da temática.

A documentação sobre a propriedade do Cabido da Sé de Évora foi a fonte escolhida por Silvana de Sousa para o seu trabalho de investigação, “devido à riqueza de dados, ao nível da diversidade de tipologias e da ampla localização de bens”.

O I Congresso Internacional de Jovens Investigadores em Idade Média constituiu-se num espaço interdisciplinar de difusão, discussão e contacto entre os jovens investigadores que estudem a Idade Média a partir de várias perspetivas: história, arqueologia, história da arte, literatura, filosofia, filologia, antropologia, metodologia, entre outras áreas.

Publicado em 13.11.2018
Fonte: GabCom | UÉ