Bolota: um produto com potencial

Coincidindo com o dia internacional da Bolota, a Universidade de Évora (UÉ) acolheu, no dia 10 de novembro, a 2ª Conferência Ibérica sobre a bolota, juntando técnicos e investigadores em torno deste produto natural numa perspetiva histórica, ambiental, económica, nutricional e sociocultural.

O Montado Agro-Silvo-Pastoril resulta do desadensamento dos bosques naturais, através da exploração múltipla de recursos pecuários, florestais, agrícolas e cinegéticos, transformando-se num “excelente exemplo de convivência entre o Homem e a Natureza”, destacou Carlos Pinto Gomes, professor do Departamento de Paisagem, Ambiente e Ordenamento da Escola de Ciências e Tecnologia da UÉ e investigador do Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas (ICAAM), co-organizador da conferência.

Modelo de elevada sustentabilidade, o montando apresenta uma importância económica e ecológica para o nosso país, sendo responsável por mais de metade da produção global de cortiça. Em Portugal, cerca de 70% da área total de sobreiro é montado, a sua importância ecológica “é por demais evidente” assim justificou Carlos Pinto Gomes, ao sublinhar que “atualmente há espécies que se encontram praticamente restritas aos montados e aos matagais”, exemplo da águia–de-Bonelli, a cegonha-negra, o gato-bravo ou o lince ibérico, o felino mais ameaçado em todo o mundo e alvo de vários programas de conservação nos dois países.

A diminuição do retorno económico, o abandono da agricultura e da pastorícia bem como a fraca regeneração natural das espécies foram apontadas pelo investigador como as principais ameaças do montando, acrescentando que "as pragas e doenças podem colocam em risco este ecossistema". Recorrendo a inventários fitossociológicos produzidos nos últimos 20 anos para diferentes tipos de gestão do montando, Carlos Pinto Gomes referiu ser o pastoreio extensivo o tipo de gestão mais favorável à biodiversidade.

Verificando-se a diminuição do retorno económico resultante da exploração tradicional, o investigador apontou novas formas de exploração destes territórios, nomeadamente o ecoturismo, birdwatching, itinerários geobotânicos e percursos equestres, capaz de consciencializar a opinião pública para a valorização e defesa deste ecossistema mediterrânico.

Publicado em 13.11.2018
Fonte: GabCom | UÉ