Audição Pública sobre “Desenvolvimento Sustentável” do “Portugal 2030”

A Universidade de Évora (UÉ) acolheu no dia 9 de outubro, a Audição Pública com a temática do desenvolvimento sustentável, abrangendo, de forma livre, os subtemas política agrícola, desenvolvimento rural e florestas, mar e pescas, demografia, ambiente e alterações climáticas e modernização da administração. Durante a sessão, representantes de diversas entidades tiveram oportunidade de defender ideias, expor expetativas e apresentar propostas à Comissão Eventual de Acompanhamento do Processo de Definição da Estratégia Portugal 2030, presidida pelo deputado João Paulo Correia.

Na Universidade de Évora, o desenvolvimento sustentável está sempre presente na “lecionação, transmitindo valores para além das matérias”, na investigação, “procurando encontrar e propor soluções para a gestão criteriosa de bens escassos como a água ou os solos”, ou ainda, “na defesa de ecossistemas em degradação”, afirmou a Reitora da Universidade de Évora, Ana Costa Freitas na sessão de abertura da audiência promovida pela Assembleia da República.  

A este propósito, Ana Costa Freitas recordou que a UÉ tem vindo a estabelecer “o máximo de parcerias com as forças vivas da região e do país, olhando para o bem-estar das populações aos níveis social, económico e cultural”, apelando a que, de “forma integrada”, o país desenvolva uma estratégia concertada e com longevidade, “olhando para o todo e não para a soma das partes, desde a Educação à Saúde, desde o Ordenamento do Território à Energia”.

Numa região que apresenta índices de desertificação elevada, o Presidente da Câmara Municipal de Évora, Carlos Pinto Sá, realçou, entre outros aspetos, para a necessidade da região atrair mais empresas com capacidade de fixar população.

A importância da água na agricultura do Alentejo foi um dos temas em destaque e sublinhado pelo presidente da Federação Nacional das Associações de Regantes. Para José Núncio, devia-se estar já a discutir uma estratégia “até 2050 para sermos mais eficientes”, e não limitar-nos a apresentar um plano até 2030. Considerando não existir um plano nacional de regadio, o presidente da FENAREG, anunciou que esta Federação irá apresentar um plano estratégico para o regadio, no próximo dia 15 de novembro, na barragem do Roxo, concelho de Aljustrel, no Baixo Alentejo.

“Não haverá desenvolvimento ambientalmente sustentável sem agricultura familiar”, sublinhou Pedro Santo (CNA)

A agricultura familiar, que representa cerca de 90% da produção nacional foi destacada por Pedro Santos em representação da Confederação Nacional de Agricultura. Para esta confederação de agricultores, esta tipologia de agricultura devia ser incentivada por apresentar capacidade de “combater a desertificação”, assumir um papel importante na preservação e conservação da natureza, bem como na defesa da identidade cultural das regiões.

A pensar nos hábitos de consumo, Jaime Ferreiro, presidente da AGROBIO - Associação Portuguesa de Agricultura Biológica, não tem dúvidas em afirmar qua a “agricultura biológica é hoje uma alternativa real”, e aponta que o nosso país apresenta condições favoráveis para este tipo de agricultura. O presidente da AGROBIO recordou que as novas gerações optam cada vez mais por alimentos biológicos, pelo que um dos objetivos desta associação é “colocar alimentos biológicos em todas as mesas” dos portugueses.

Do ponto de vista político, José Diogo Albuquerque, antigo Secretário de Estado da Agricultura, considerou haver aspetos a melhorar: o orçamento para a agricultura; a sinergia entre os vários fundos de apoio, e uma simplificação burocrática para que, em conjunto, o país possa tirar partido de alguma flexibilidade nos programas de apoio e atingir patamares mais elevados em todos os domínios do agroalimentar.

Publicado em 11.10.2018
Fonte: GabCom | UÉ